É bem difícil parar para escrever uma crítica de um livro quando se tem inúmeras sensações sobre ele. A melhor coisa a fazer é tentar “aquietar a alma” e se concentrar para relatar apenas o que realmente ele deixou de bom em você...
Todos têm memórias boas e ruins. O problema é que muitas vezes achamos que as memórias boas poderiam repetir-se, e que as ruins, poderiam ser simplesmente “deletadas”...Mas se passarmos por tudo de bom novamente será que reagiríamos com tanto entusiasmo quanto a primeira vez? E as lições que aprendemos com os momentos não tão agradáveis? Será que não serviram de aprendizado?! Eu sei, eu sei...você pode até dizer que isso é papo de quem nunca sofreu, seja por qual motivo for. Mas creio que todas as sensações vividas por nós são únicas, exclusivas e algumas vezes indescritíveis. Pois então amiga...não é só você que muitas vezes ao longo do dia, fica relembrando uma infinidade de coisas, sem se dar conta de que o AGORA está se passando. O livro Água para Elefantes destacou-se na minha estante pessoal, por fazer com que eu parasse de pensar tanto no que já havia passado e olhar para as modificações que eu posso fazer no presente... Ele conta a história de Jacob Jankowski, um “moço” de apenas 93 anos, que mora em um asilo, e como todos no lugar, adora contar as aventuras vividas na juventude. Ainda muito jovem, perde os pais, fica sem casa, sem dinheiro e é obrigado a largar a faculdade de veterinária para tentar sobreviver, acaba indo trabalhar em uma companhia de circo, os Irmãos Benzini, lá conhece Marlena a encantadora de cavalos (que mais parecia ser a encantadora de homens), desejada por todos, mas apreciada apenas por um, August, dono da companhia. A partir daí você já imagina que o mocinho da história se encanta pela linda senhora e que surge uma tremenda confusão, no ar misterioso, romântico e curioso dos Estados Unidos, em plena a década de 30. O mais interessante é que durante a trama aparece a responsável pelo título do livro: Rosie, a elefanta (ou elefoa, ou elefante fêmea, ou aliá, como é chamada em algumas tribos tibetanas...os autores de dicionários ainda divergem sobre esse assunto...) não vem ao caso! O importante é que o que mais chama atenção em toda a trama são as grandes lições dadas pelo desengonçado animal ao personagem principal. O melhor do livro é saber que as melhores memórias retratadas por Jacob, são as que ele mais sofreu, ou foi decepcionado, pois foi de onde ele tirou as maiores lições. O pior da história é saber que ele gastou tanto tempo contado as memórias para os seus amigos de asilo e acabou esquecendo-se de viver o presente. Isso acontece muito conosco, nos preocupamos tanto em pensar no que fizemos de certo ou errado que deixamos de viver o hoje (bem vivido) e assim não perdermos tempo novamente no futuro pensando no que passou!
Água para Elefantes vale a pena ser lido...mas não vai enrolar e ver apenas o filme com aquele Robert Pattinson, viu?! (que tenho a leve impressão que nunca deixou de ser vampiro, como pode uma pessoa nunca pegar um bronze, hein?!). O filme não traz os detalhes minuciosos do livro, e cá entre nós a Reese Witherspoon, não tem nada da Marlena que eu imaginei!!!
Trecho:
" E então rio com vontade, porque tudo me parece tão ridículo e tão maravilhoso e é só o que posso fazer para não me desmanchar em risadas. e daí que eu tenha 93 anos? E daí que eu seja velho e entrevado e meu corpo uma ruína? Se eles estão a fim de me aceitar, a mim e à minha consciência culpada, por que eu não deveria ir embora com o circo?
É como Charlie disse ao policial. Para este velho aqui, esta é a sua casa."
Água para Elefantes-Ficção
Sara Gruen
1ª Edição
Editora Sextante
331 páginas


Muito bom,dica ótima gente!!!
ResponderExcluirVale a pena ler , viajar e se emocionar com a história de Jacob Jankowski e sua jornada com o circo Irmãos Benzini!!